José Ruy Veloso Campos: O Prêmio Ronaldo Barreto e um pouco da história




José Ruy Veloso Campos
(foto: arquivo pessoal)

Foi uma boa surpresa quando chamaram a mim no evento da premiação do VIHP, Very Important Hotel Professional, para receber o recém-criado Prêmio Professor Ronaldo Barreto, iniciativa da doutora Ana Paula Spolon, uma profissional há mais de vinte anos nesse mercado, entre a indústria e a academia, para homenagear e estimular os acadêmicos que atuam na área de educação em hospitalidade.

Essa premiação entra no rol daquelas louváveis ações de incentivo para os profissionais de determinadas áreas que, nesse caso, foca a hotelaria e é promovida pelas empresas QI Profissional, dirigida por Márcio Moraes e a revista eletrônica Hôtelier News, dirigida por Peter Kutuchian. O VIHP está em sua sexta edição.

Fui à cerimônia pronto para dizer algumas palavras sobre nosso saudoso colega Ronaldo Lopes Pontes Barreto, que nos deixou ano passado. E eis que me vi o primeiro homenageado com o prêmio. Fiquei honrado. E dedico essa homenagem a ele, Ronaldo Barreto, bem como a tantos outros que muito
fizeram pela educação profissional em hotelaria.

Formado pela École Hôtelière de la Société Suisse des Hôteliers, de Lausanne, Suíça, Ronaldo trabalhou em diferentes países da Europa na segunda metade dos anos 1970 e voltou para o Brasil em 1980, contratado pelo SENAC de São Paulo para um programa, à época, denominado PAPEME - Programa de 
Atendimento à Pequena e Média Empresa Hoteleira, um precursor do Sebrae. Com ele vieram dois bons profissionais que passaram pela escola de Lausanne: o brasileiro Juvenal Reis, da área de Hospedagem e o guatemalteco Daniel Altuzar, da área de Marketing e vendas. Ronaldo era um expert em Alimentos e Bebidas.

Em São Paulo esse grupo se integrou a outro que vinha dos Estados Unidos, num acordo firmado entre a Cornell University e o mesmo SENAC. Lá estavam Deiv Salutsu, Mukesh Chandra, Blynn Clark, David Fort e David Lord Tuch. Naquela década foram integrando aquele time outras figuras hoteleiras que deram forte contribuição para a educação nessa área. Entre elas, João de Abreu e Virgílio Nelson da Silva Carvalho.

Até o começo dos anos de 1980, apenas a Universidade de Caxias do Sul oferecia um curso de Formação de Tecnólogos em Hotelaria, graças ao esforço do decano da área no país, o amigo e professor Geraldo Castelli. Castelli voltou de sua graduação em economia na Suíça disposto a trazer essa formação para o Brasil. E conseguiu implantar o curso em 1978. Hoje Castelli tem, além de vários livros publicados, a sua própria escola na cidade de Canela, na Serra Gaúcha.

O SENAC de São Paulo criara, no final dos anos de 1970, impulsionado pelo então presidente da Federação do Comércio, o jovem visionário José Papa Júnior, um centro específico, que nos permitiria dar um salto na formação de pessoas nessa área. A proposta era, nos restaurantes e nos hotéis-escola, ir 
além da formação de garçons e auxiliares de cozinha.

A nova unidade do SENAC veio a chamar-se Centro de Estudos de Administração Hoteleira – CEATEL - e oferecia, além do curso de Administração Hoteleira em parceria com a Cornell University, com duração de 
um ano, vários programas livres, como seminários e cursos de extensão.

Foi um período de mudança de paradigmas na educação profissional para a hotelaria. E o SENAC de São Paulo deu vital contribuição para isso.

Por uma década, os acordos com a Universidade de Cornell e com a École Hôtelière de Lausanne permitiram que fossem realizados vários cursos de gestão, focando nas áreas de hospedagem, marketing/vendas e alimentos e bebidas, além de seminários internacionais com profissionais das duas 
instituições.

Foi nesse momento da história da educação em hotelaria que Ronaldo Barreto foi ficando mais conhecido e que seus serviços começaram a ser mais requisitados. Fluente em inglês, francês e espanhol, Barreto era quase sempre o tradutor espontâneo para muitos dos eventos internacionais aqui citados.

Quando, em 1989, teve início a primeira turma do curso de Tecnologia em Hotelaria do SENAC, ele passou a fazer parte do corpo docente.

Mas sua contribuição institucional ao SENAC foi sempre de abrangência nacional. Era um assessor para os hotéis-escola no Estado de São Paulo e de outros Departamentos Regionais da instituição. Barreto atendeu ainda outras instituições de nível superior, entre elas a Universidade do Vale do Itajaí e a 
extinta Faculdade Renascença.

Depois de 1994, com a implantação, pelo SENAC/SP do curso de Cozinheiro Chef Internacional, em parceria com o The Culinary Institute of America, Ronaldo Barreto passou a dar sua contribuição também naquele programa, como docente e como tradutor.

Fui gerente corporativo da área de Hotelaria e Turismo do SENAC de São Paulo por dez anos, entre 1987 e 1997. Antes disso, fui assistente do diretor do Ceatel e depois gerente do Centro de Formação Ricardo Amaral, um restaurante-escola em Art Nouveau à Rua Bela Cintra, em São Paulo.

Nessa década, como gestor da área, tive dois grandes privilégios: primeiro o fato de a instituição sempre apoiar minhas iniciativas, nem sempre compreendidas e depois aplaudidas. Segundo, o fato de que nada disso teria acontecido não fossem profissionais altamente qualificados à minha volta, como o nosso saudoso amigo Ronaldo Lopes Pontes Barreto.

Não há espaço para registrar todos. Mas o prêmio que recebi, com o nome do professor Ronaldo Barreto, vai para Aristides Pacheco, Ferrucio Costa, Oliver Hillel, José Benedito Zani, Hélio Mendes, Giulio Vicini, João Carlos Ignácio da Silva, Michael Willy Asmussen, Diogo Canteras, Amin Aur, Caio Luiz de  
Carvalho, Maria Augusta Pacheco Ranhada, Jonas Juliani, Virgílio Casaco, Vladir Vieira Duarte entre outros, muitos outros. Difícil não ser injusto. 

Que o prêmio Professor Ronaldo Barreto seja mais um bom estímulo para os acadêmicos de uma área que nos últimos trinta anos ganhou novos paradigmas e significados. Hospitalidade é hoje um tema de amplo sentido nos estudos acadêmicos. Que o diga a doutora que propôs essa modalidade de 
premiação, Ana Paula Spolon, cujas raízes estão fincadas, ad aeternum, na hotelaria.

Ronaldo Lopes Pontes Barreto mereceu a homenagem.

Muito obrigado a todos.

* Consultor sênior independente, foi gestor da área de Hotelaria e Turismo do SENAC de São Paulo, Gerente da área de A&B do Shopping Eldorado, Coordenador de Hotelaria e Turismo da Universidade São Francisco, consultor de várias instituições educacionais no Brasil, fundador e presidente da Ass. Brasileira dos Dirigentes da Escolas de Turismo e de Hotelaria, fundador do Instituto de Hospitalidade, BA, Vice presidente da Confederación Panamericana de Escuelasde Hoteleria y Turismo. Tem várias publicações sobre o tema.

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